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Diretor da Metrics é entrevistado da PrintCom Brasil

Sem um bom profissional, não há ferramenta que funcione”

ENTREVISTA

Há 11 anos no mercado, a Metrics Sistemas de Informação apresentou na Drupa 2008 a plataforma Metrics M3, uma ferramenta de gestão integrada de processos da indústria gráfica compatível com o JDF. Osmar Barbosa, um dos fundadores da empresa, diz que, na comparação com os países vizinhos da América Latina, o Brasil está muito avançado em matéria de disponibilidade de sistemas completos de automação de gestão. “O fator humano cada vez mais vai ser um diferencial para as gráficas”, afirma. Isso porque, do ponto de vista de equipamentos, elas já se parecem muito, independentemente do fabricante.

PrintCom Brasil:
O mercado está preparado para sistemas de gestão compatíveis com o JDF?

Osmar Barbosa: Nas empresas que possuem workflow de pré-impressão mais modernos, praticamente todas já suportam JDF. Agora, quando falamos de máquinas, a grande maioria não suporta o JDF, e até que a situação se inverta ainda vai demorar. Então, teremos de conviver por vários anos ainda num ambiente misto, com máquinas mais modernas e mais antigas. Daí a importância de se ter um sistema de gestão que permita a convivência das duas realidades. É um pouco do que está acontecendo em outros países também. Automação completa de gráficas não é tão comum de se ver. Vemos alguns casos na Europa, nos Estados Unidos, mas na América Latina são raros. 

PCB:
A crise de alguma forma favorece investimentos em sistemas de gestão?

Osmar Barbosa:
A crise talvez tenha sido menor do que se imaginava, mas afetou tanto a automação como todos os outros investimentos. Agora, se fôssemos eleger um tipo de investimento coerente com uma situação mais difícil, em que o empresário precisa tirar mais das instalações que possui, a automação e sistemas de gestão são muito bem-vindos. Isso porque há muitas empresas com capacidade de produção até grande, onde um investimento em gestão, planejamento e melhor controle de fábrica poderia ampliar essa capacidade produtiva sem necessariamente ter de comprar novas máquinas. Nesse sentido, o investimento em sistemas de gestão seria mais inteligente em épocas de crise. Mas, independentemente do momento econômico, não faz sentido investir no futuro em equipamentos e ferramentas que não tenham suporte à automação. 

PCB:
Então, suporte ao JDF será essencial daqui para frente?

Osmar Barbosa:
Dentro da indústria gráfica não há o que discutir. É como ignorar que existe o CtP ou o workflow que pode facilitar a gestão de sua produção. Ou achar que PDF não é a melhor forma de se transmitir um arquivo. O JDF ainda não virou uma linguagem universal mas vai virar, porque todos os grandes fabricantes estão trabalhando nisso. 

PCB:
Por onde começam os investimentos em automação de gestão?

Osmar Barbosa:
As empresas costumam buscar o processo de automação naqueles setores onde há mais problemas. Geralmente, o problema surge primeiro em vendas. Uma vez resolvida essa questão, podem surgir outros problemas. É comum as empresas começarem a ter problemas justamente porque as vendas aumentaram. Enfim, se a empresa olhar o conjunto vai ver que todos os processos estão interligados. Nesse ponto, entramos talvez na parte mais complexa da implementação de um sistema, que é desenhar corretamente os processos de gestão e controle, com uma visão integral da empresa. Assim, consegue-se dar aos gestores uma visão gerencial de como está sua empresa, se está rentável, onde estão os pontos de atenção, quem são os melhores clientes, se a margem está adequada. Com base nessas informações, os gestores podem tomar decisões mais adequadas. 

PCB:
Em quanto tempo é possível colocar em funcionamento um sistema integrado?

Osmar Barbosa:
Se considerarmos apenas o aspecto mecânico de implementação, é um processo simples. Em um ou dois meses consegue-se colocar em funcionamento um sistema de orçamento, por exemplo. Um sistema completo levaria seis meses ou um pouco mais. Mas quando encontramos empresas com várias deficiências de processo, é muito complicado, pois temos de transformar a cultura interna. Muitas vezes, a maior barreira está nos gestores. 

PCB:
Então, o fator humano é um complicador?

Osmar Barbosa: O Brasil tem características interessantes. Aprendeu a usar muito bem a informática comparativamente a outros países da América Latina. Temos tecnologia de software muito avançada, com ferramentas comparáveis ou até melhores do que encontramos em qualquer parte do mundo. Hoje, os empresários têm acesso a equipamentos de última geração e também a sistemas muito completos para ges­tão de empresa. A maior deficiência que encontramos é na capacitação das pessoas, na visão gerencial. Na medida em que as empresas melhorarem a qualificação tanto em nível gerencial quanto operacional, as ferramentas já estão aí, dependendo somente de pessoas. O fator humano cada vez mais vai ser um diferencial. As gráficas deveriam realmente investir na formação em todos os níveis. Sem um bom profissional, não há ferramenta que funcione. 

PCB: O que o mercado pode esperar da Metrics na ExpoPrint 2010?

Osmar Barbosa:
Teremos alguns lançamentos dentro da linha de incorporar mais tecnologia aos nossos produtos, ferramentas com suporte integral de JDF ainda mais abrangentes. Teremos várias novidades importantes.


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